quinta-feira, 3 de abril de 2008

"Público Vs Privado (04)"

Sonarq entrega pontualmente subsídios

contra obstrução da estrada histórica

O presidente da Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia e Meio Ambiente (Sonarq), historiador, antropólogo e arqueólogo Walner Barros Spencer, concluiu ontem, conforme prometera na última sexta-feira, a elaboração dos subsídios que se encarregou de fornecer ao advogado Marcílio Mesquita de Goes para que este denuncie formalmente ao ministério público estadual obstruções de passagem impostas a estradas litorâneas do Rio Grande do Norte por interesses privados.

Sem poder apresentar as imagens que incorporou a seu documento, a exemplo do que fez o engenheiro Levy Pereira, presidente do Natal Landclub, ao apresentar seus subsídios à denúncia de Marcílio, Notícias de Jipeiros transcreve na íntegra o texto de Spencer. Ei-lo:

Histórico da área

A área objeto desta peça foi percorrida por grupos migrantes que se deslocaram pela costa brasileira quando a mesma, nesta latitude, há alguns milhares de anos, era mais dilatada, estendendo-se por mais algumas dezenas de quilômetros, devido aos movimentos eustáticos do mar, como decorrência dos picos de glaciação. Tais grupos de caçadores-coletores colhiam pequenos animais flúvio-marinhos e diversos tipos de crustáceos e moluscos comestíveis, suplementando essa dieta com a caça de pequenos animais. Vestígios eventuais dos grupos humanos muito antigos, anteriores a 8-10 mil anos estariam cobertos pela água do mar e, consequentemente, inacessíveis e sem possibilidade de encontro e descoberta.

Cerca de 500 anos antes que os europeus chegassem, tribos de cultura Tupi instalaram-se na região, tendo então deslocado os grupos ditos tapuias para o interior das terras. Os indígenas de etnia Tupi, além de serem horticultores, correspondendo a plantadores incipientes, utilizavam magistralmente a simbiose ambiental do local, i.e., o encontro de tipos diversificados de elementos de sobrevivência, a saber, o ambiente marítimo, o lacustre, o fluvial e o terrestre. Destarte, conseguiam mais fácil e mais rendosa existência, ainda mais considerando outras características da região, como a existência próxima de enseadas costeiras e de barreiras de pedras – beach rocks -, que facilitavam a pesca marítima por causa dos movimentos do plâncton devido às correntes de convecção, por um lado, e de nicho ambiental protegido, por outro.

É de considerar também as desembocaduras de rios e lagoas, a piscosidade das lagoas, assim como o clima favorável, com chuvas regulares, a permitir o plantio da mandioca, principalmente. Os Tupi eram grupos com razoável avanço e sofisticação em sua organização social, sedentários, bravos e agressivos combatentes, antropófagos, exímios canoeiros e experimentados pescadores, possuindo excelentes técnicas de construção de armadilhas para peixes. Os representantes da cultura Tupi no território atual do Rio Grande do Norte eram os Potiguara, que exerciam o comando do rio Jaguaribe, no Ceará, até a atual divisa com a Paraíba.

A partir do século XVI, diversos navegantes europeus estiveram nesse litoral, nomeando-o e tornando-o conhecido nos portulanos e cartas de marear. Os franceses, no entanto, que dominaram a costa oriental norte-rio-grandense por décadas, não se estabeleceram, ao que parece, na lagoa de Guaraíras, nem a citam como local de refúgio e refrigério, embora fizessem uso de Baía Formosa, da Ponta de Pipa e da barra do rio Curimataú. Não consta que fizessem comércio com as aldeias que existiam no entorno da lagoa, talvez por não existirem enseadas próprias para desembarque na região. Gabriel Soares de Souza, por exemplo, em sua descrição da costa brasileira, em 1587, não menciona a lagoa de Guaraíras.

A área terrestre objeto deste estudo foi transitada exaustivamente durante os três primeiros séculos da história do Rio Grande do Norte, pois era o caminho que ligava a Capitania à Paraíba, Pernambuco e Bahia. Por ela passaram as tropas comandadas por Feliciano Coelho quando, em 1598, vieram reforçar e garantir a continuação da construção do Forte dos Reis, na margem direita do Rio Grande (Potengi).

No mapa de João Teixeira Albernaz, na obra Livro que da Rezão do Estado do Brasil, de 1612, aparece o desenho da lagoa, a qual chama de Gvaíra, a sudeste da Aldeia de Antônia, e onde é assinalado um canal de comunicação com o mar, que recebe o nome de Paranabuc. De outra feita, na Corografia Brasílica , de Manuel Aires de Casal, em 1817, está escrito que a lagoa de Groairas deságua no rio Tareiri, aliás, Garatuni (o atual Trairi).

A colonização do território inicia pela doação de datas de sesmaria ao sul de Natal, ao longo dos rios permanentes, das lagoas, especialmente quando incluía portos de pescaria, como foi o caso de João Lostão Navarro, que recebeu terras, em 1600, na foz e ao longo do rio Traíri -na realidade, o Camurupim atual. Para Tavares de Lira , isso era lógico, pois vinham do sul “as forças que combatiam e expulsavam potiguares e franceses – estes nas proximidades dos portos e aqueles no interior até a Serra de Copaoba (Serra da Raiz). Do sul tinham vindo as expedições militares e para ele tinham voltado. Os pontos e os lugares eram explorados e as estradas conhecidas”.

Lostão foi bem sucedido em seu empreendimento, tendo criado um local que atraiu outros moradores. Lira e Varnhagen consideram que possuía engenho de açúcar, coisa que Cascudo discorda. No relatório de von der Dussen – citado por Wätjen -, o Rio Grande possuía dois engenhos. De qualquer maneira, Lostão era possuidor de diversos escravos da Guiné, fazia roças e tinha construído benfeitorias. É para suas casas que se recolhem os fugitivos da matança do Engenho Cunhaú, perpetrada pelos holandeses, em 1645.

Outro importante sesmeiro na região foi o Padre Gaspar Gonçalves da Rocha, vigário da Matriz, que recebeu a doação em 1601. Conrado Lopes, Antônio de Souza, Jerônimo de Athayde, Henrique Teixeira, Gregório Pinheiro, Manoel Rodrigues Pimentel, Belchior de Espínola, e outros, eram donos de terras de sesmaria nas margens da lagoa de Guaraíras, nas margens dos rios Ararai, Traíri e circunvizinhanças.

A lagoa de Guaraíras esteve, no mínimo durante os primeiros séculos da colonização portuguesa, integrando a parte economicamente mais importante da Capitania, pois o distrito de Cunhaú, ali perto, possuía praticamente o único engenho produtivo – safrejava cerca de 6.000 – 7.000 arrobas de açúcar anuais -, quase toda exportada para Pernambuco.

Um engenho moente de tal envergadura necessitava de muito gado para o trabalho no estabelecimento, fosse para servir de alimento, fosse para trabalho. Os campos varzeanos do entorno da lagoa eram locais ideais para a pecuária de então.

A lagoa era menor do que a atual em volume de água por não ser afetada pela maré devido à ausência de ligação entre um e outro. Dependendo única e exclusivamente das águas dos rios e das lagoas circunvizinhas, e das águas vertidas dos mananciais de dunas, não poderia ter a mesma extensão do espelho de água que apresenta hoje. Assim, grande parte estava descoberta formando extensas várzeas, onde pastava enorme quantidade de gado.

Este fato é confirmado pelas pessoas mais antigas do lugar, e que o conheceram antes da ruptura da barra, em 1924. Dizem os mesmos, inclusive, que existiam, no local, extensas plantações de cana-de-açúcar.

A região de Guaraíras sempre foi um local de fácil subsistência devido aos ambientes diversificados que englobava, ainda mais quando a lagoa era de água doce, tendo atraído, assim, durante grande parte do tempo colonial, uma população rural considerável que ocupou as suas imediações.

O entorno da lagoa era passagem obrigatória de quem vinha da Paraíba, pois nele é que existia a primeira estrada da Capitania – e assim se manteria por séculos – suportando um numeroso trânsito, relativamente à época, o qual, vindo pela Baía da Traição ou Mamanguape, Tamaranduba, Cunhaú, Goianinha, Guaraíras, infletia para Mipibu, Potengi, Utinga, ou ainda, seguindo o vale do Cajupiranga, direto a Natal, neste último caso a escoteiro, isto é, sem carga, e assim mesmo muito raramente.

Havia outras variantes, mas sem grandes modificações de rumo. Isto vai perdurar até inícios do século XIX, e a estrada terá de uso regular e costumeiro, ao menos até a débâcle econômica da área.

O caminho utilizado na época, bem conhecido e trilhado, tornara-se seguro desde que os Potiguara haviam acordado e celebrado um tratado de paz e amizade eternas com os luso-espanhóis, em 1599, na cidade de Filipéia, na Paraíba, hoje João Pessoa.

Como aconteceu quase sempre nas movimentações terrestres coloniais, o caminho deve ter sido, anteriormente, uma trilha indígena a qual - dentre outras funções - ligava uma aldeia a outra. Em seu trajeto e no eixo do caminho existiam muitas aldeias. Algumas delas, constando de documentos, mas a maior parte delas não tendo sido descoberta ainda. Vestígios existem aqui e ali, mas somente uma pesquisa sistemática aliado a um árduo estudo histórico-cartográfico poderá recuperar tal conhecimento extremamente importante para a cultura do Rio Grande do Norte, sendo base e fundamenbto para o fortalecimento da identidade de nossos co-estaduanos. Tal pesquisa está presentemente sendo realizada e se encontra em estágio bastante avançado.

Ao tempo da conquista flamenga, em 1633, a zona considerada já apresentava população em toda a faixa litorânea, e “numa zona de algumas léguas para o interior, a corrente migratória estava definitivamente encaminhada, notando-se ao longo da costa e às margens dos rios Pitimbu, Pirangi, Traíri, Jacu, Curimataú, Guajú e outros um trabalho persistente e intenso de desbravamento do solo” como afirma Tavares de Lira . A região mais trabalhada pelo flamengo foi o agreste, de Natal até Canguaretama, com a relativa proteção garantida pela proximidade “das guarnições holandesas, comboiadoras dos produtos para Recife, embarcando-se em Natal e nos portos da embocadura dos rios (Pirangi, Camurupim, Barra de Cunhaú)”, de acordo com Cascudo .

Em 1630, Adriano Verdonck, comerciante holandês metido a espião, ao viajar para Natal, através do Cunhaú e de São José de Mipibú, passa pela trilha usual que bordejava a lagoa de Guaraíras. É quando informa que os núcleos de povoação não iam além de cinco milhas para o interior. A trilha aludida, que serviu durante séculos aos viajantes, soldados e aventureiros, aparece claramente delineada no mapa de Marcgrave, do século XVII, onde, inclusive, aponta dois currais, um perto da lagoa Papeba e outro ao sul de Guaraíras, com estrada que leva a Sibaúma. Por esta trilha andou a tropa combativa de Luiz Barbalho Bezerra quando de sua épica jornada de Touros até a Bahia, em meio a entreveros e escaramuças com os holandeses que buscavam sustar seu prosseguimento.

O caminho apresentava uma variante que a partir da altura do povoado Campo de Santana velho, então existente, indo pelo norte do Morro da Fumaça, demandava os estabelecimentos de João Lostão Navarro, na foz do atual rio Camurupim, de onde era possível atingir Natal.

Guaraíras, como região, foi de enorme importância para a estratégia de conquista e manutenção do domínio holandês da Companhia das Índias Ocidentais, no Nordeste brasileiro, pois era um celeiro de mantimentos e um manancial de criação de gado. Segundo Hermann Wätjen, “o maior fornecimento de reses para o consumo era feito pelos criadores de gado do Rio Grande.

Em 1635, os Conselheiros Políticos exaltaram a conquista final desta Capitania, como um benefício inestimável da fortuna. Sem o Rio Grande, os soldados hollandezes tão miseravelmente tratados, com os sós recursos dos armazens, ficariam condenados a morrer de fome; sem o Rio Grande a alimentação da população de Pernambuco, em constante crescimento, seria uma cousa impossível... o bem estar da Colonia dependia de um abastecimento de carne, seguro e regular; e que sem bois de trabalho os plantadores de canna... jamais poderiam por em actividade satisfactoria a fabricação do assucar” . Mais importante se tornou a região depois que os holandeses perderam o controle sobre o gado das margens do São Francisco. Joan Nieuhof informava em relatório que “No lago de Groaíras há uma quantidade incrível de peixes e a região produz farinha em grande escala. Daí vieram os fartos abastecimentos de carne e peixe para as nossas guarnições da Paraíba e outras partes, durante a rebelião dos portugueses”.

Negar o acesso dos flamengos aos gados riograndenses foi um dos motivos das razias dos combatentes pernambucanos, principalmente na amplitude da região em estudo – Cunhaú, Canguaretama, Guaraíras – incluindo o combate e a destruição da ‘casa forte’ da Ilha do Flamengo, na lagoa, em 05 de janeiro de 1648. Essas investidas sempre recolhiam muito gado, como nessa última citada, em que Vidal de Negreiros mandou que se recolhesse cerca de 2.000 cabeças.

Sigamos, por um instante, a narrativa deste combate, narrada por Cascudo, e segundo o Castrioto Lusitano, de Frei Raphael de Jesus, contemporâneo daqueles acontecimentos. Ele inicia com a chegada das tropas de Vidal de Negreiros ao local:

Avistou um sítio, que chamam as Guaraíras, onde o inimigo sustentava uma casa forte no centro duma lagoa larga e funda, dentro da qual, como em ilha, se alojavam todos os índios e escravos que o Holandês ocupava nas roças e lavouras daquele terreno; e se recolhiam os frutos e os roubos de que se sustentavam, guardados e defendidos de quarenta holandeses, que com outros soldados-índios guarnecem a fortificação; constava desta casa forte que era cercada de duas trincheiras bem obradas.

Chegou ao escurecer, atravessando a lagoa com água pela cintura e atacando imediatamente. O chefe holandês e cinco companheiros mais prudentes tomaram de uma canoa, fugindo sem bulha e matinada. Henrique Dias passou a noite matando. Pela manhã não existia gente com vida na fortificação. Soldados flamengos, negros escravos, mulheres, estavam mortos. “Levaram tudo à ponta de espada não perdoando sexo nem idade”, escreve Frei Rafael de Jesus. Era o dia 6 de janeiro de 1648. Na manhã seguinte o Governados dos Pretos partiu para devastar o Cunhaú. Os holandeses voltaram e reconstruíram a casa forte.

Em agosto de 1651 o capitão João Barbosa Pinto apareceu como um furacão sobressaindo “no assalto e queima da aldeia das Groayras retirando mais de duas mil cabeças de gado e passante de duzentas almas, entre mulheres e meninos que estavam em poder do holandês, deixando toda aquela campanha abrasada.”.

No fortim existiam dois canhões de ferro. Retiram-nos nas primeiras décadas do século XX. Um ficou num sítio em Patané à margem da lagoa, e outro enterraram até o meio numa esquina da hoje cidade de Arêz, ao lado de Papeba. Cascudo as viu em 1932.

Os muros do fortim esboroaram-se e o arvoredo tudo cobriu. Muitas pedras foram retiradas para serviços na redondeza. Será difícil localizar o sítio exato onde a casa forte se ergueu. A ilha guardou o nome recordador. Chama-se Ilha do Flamengo.

Durante todo o tempo de guerra, as tropas de ambos os lados se movimentavam pela trilha que margeava o lado leste da lagoa, em suas idas e vindas. O gado pastava nas várzeas hoje inundadas. É provável que se plantasse cana-de-açúcar em alguns lugares propícios para o fim. É de presumir, também, que possuísse locais de vigilância, apoio e guarda das tropas itinerantes e dos viajantes.

O trajeto dessa trilha secular ainda persiste em parte embora tenha tido sua ambientação modificada por plantações comerciais de coco e de caju. Ela está bem demonstrada no mapa de Marcgrave (Figura 02) e devido ao relativo isolamento da área ainda pode ser reconhecida e transitada, constando, inclusive, das cartas da Sudene com escala favorável ao seu delineamento.

Finda a conquista holandesa, restaurado o domínio português, em poucas décadas retorna a azáfama militar, devida à revolta geral dos indígenas do sertão, que se prolongará, intermitentemente, de 1680 até o início do século XVIII. Embora essa guerra indígena não alcance vigorosamente a região pesquisada, teve efeitos sobre ela em razão da insegurança que gerou entre os colonos.

Por tal razão é que foram, em algum tempo, construídas diversas casas fortes, redutos fortificados geralmente à beira dos caminhos, em locais de valor estratégico, de passagem obrigatória, como a estrada litorânea que passava em Guaraíras, e nos lugares mais povoados da Capitania, como era o caso das casas fortes da própria lagoa, de Tamatanduba, Cunhaú, Goianinha, Mopibú, Potengi, Utinga, Guajiru, em 1687.

Em fins do século XVII, em 1691, já existe o aldeamento jesuítico de S. João Batista de Goaraíras, num elevado sobranceiro à Lagoa de Guaraíras. Os jesuítas trabalhavam organizadamente, defendendo o indígena contra a avidez do lavrador. Instruíam aos jovens de ambos os sexos ofícios e afazeres domésticos próprios e os rudimentos da leitura e escrita.

A Companhia de Jesus foi abolida em 3 de setembro de 1759. Logo após, abandonaram o aldeamento para as autoridades portuguesas. Este irá decair até extinguir-se totalmente, restando somente vestígios funerários no topo do morrote sobranceiro à cidade atual de Sen. Georgino Avelino, e que foi arqueologicamente escavado pelo Prof. Nássaro Nasser, do Museu Câmara Cascudo, na década de 70-80.

O século XVIII assistiu à expansão pecuária na Capitania, quando a ocupação das terras se estende para o interior e os currais de gado ocupam as ribeiras dos rios intermitentes, fazendo pião nos olhos d’água. Concomitantemente, desde o final do século XVIII, o plantio do algodão se firma na região sertaneja. Novos caminhos são abertos – as estradas das boiadas -, novos rumos econômicos surgem e, paulatinamente, a lagoa de Guaraíras, como região pontual, vai perdendo importância econômica, militar e política. A velha trilha é gradativamente descontinuada e abandonada, restando tão somente como ligação vicinal de pequenas povoações, pois novas estradas são estabelecidas. Não obstante, ainda será palmilhada até meados dos novecentos.

Desde a década de 1850, os vales começam a ter melhor aproveitamento econômico, especialmente com o plantio da cana e a produção de açúcar. No decorrer de 1860, por exemplo, há um súbito acréscimo dessa indústria em toda a Província. Existia, então, no território norte-rio-grandense, 173 engenhos efetivamente trabalhando, todos de ferro, excetuando 12, que eram de madeira. Quase todos se localizavam aos vales do sul, Capió para cima, onde se inclui a região de Guaraíras e arredores.

Assim, fica estabelecido que a região suportou o trânsito de populações migratórias há alguns milhares de anos, além de ter sido local de acampamentos temporários de pesca para populações indígenas que viviam no derredor da lagoa de Guaraíras, inclusive grupos proto-históricos e históricos.

Outro fator primordial no arrazoado é o fato de que parte da primeira estrada colonial da Capitania, assinalada em mapa do Marcgrave, no século XVII, ainda é discernível no terreno, em seu rumo e direção geral, embora tenha sofrido diversas alterações no decorrer dos séculos. Partindo desse pressuposto, é possível reconhecer-se ao longo do leito da trilha, e no seu entorno, os vestígios e marcas dos lugares de pouso e de descanso dos viajantes, bem como eventuais postos de defesa e vigilância.

Desde que Marcgrave aponta a existência de currais de gado e de moradias ao longo da trilha, e levando em consideração, adicionalmente, a provável construção de casas fortes no eixo desse caminho deve-se atentar para o evidenciamento de estruturas condizentes com tais construções, não obstante as grandes alterações antrópicas que a região sofreu com o plantio comercial de frutas e a fabricação artesanal de carvão vegetal, especialmente a segunda, pelo seu enorme potencial de revirar o solo, misturar objetos e destruir estratigrafias.

Considera-se a existência de três agrupamentos humanos que teriam tido lugar ao longo da primeira parte desse caminho, até Campo de Santana velho, antes das primeiras duas décadas do século XX: Camboa, Cabarú e Marcos , os quais não só constam de mapas municipais, como ainda são lembrados pelos moradores mais antigos da região, por sinal, hoje desabitada, embora as estruturas não tivessem mais presença física nos locais aludidos.

A informação popular deu a conhecer, também, a existência de um engenho no local chamado Marcos, cujas construções teriam derruído desde a década de 1940-50.

É de considerar que de Guaraíras tem uma dinâmica especial quando geomorfológicamente considerada, pois sua paisagem sofreu modificações radicais. Embora apareça comunicando-se com o mar, em mapa de 1612, como visto na parte histórica deste trabalho, ela é considerada, no restante dos cartógrafos e cronistas, como não tendo tal ligação com o mar, ao menos até 1924, quando uma grande enchente ligou a lagoa ao mar, criando um canal que se denomina canal de Tibau.

Anteriormente, portanto, a lagoa era de água doce e infensa, naturalmente, aos movimentos da maré. Dessa forma, excluída a contribuição da maritimidade, e contando tão somente com a contribuição dos rios que nela despejam suas águas – nenhum deles de grande volume -, a extensão da lagoa, e o seu diâmetro, eram menores. Como conseqüência, havia grandes várzeas em seu derredor, pois a lagoa é de baixa profundidade em sua maior parte.

Nessas várzeas, corriam pequenos riachos, sendo que um deles passava perto do sítio do “engenho”, em Marcos, conforme lembrança de antigos moradores.

Com o rompimento da barra e a correspondente salinização da água, o plantio da cana-de-açúcar teria sido inviabilizado causando uma súbita mudança nas condições econômicas do local. O resultado foi o abandono dos lugarejos habitados nas redondezas, e que sobreviviam em função dos trabalhos canavieiros.

A salinização da água teria conseqüência, igualmente, na gradativa criação de mangues, pois os que existem atualmente ao redor da lagoa são relativamente recentes.

Entende-se que a compreensão dessa dinâmica é de vital importância no planejamento do reconhecimento arqueológico, pois deve levar em consideração as mudanças ocorridas no litoral histórico.

Uma vez a trilha atual sendo identificada como praticamente sobreposta a primeira estrada colonial da capitania, como visto anteriormente na parte histórica, a mesma foi percorrida, a cavalo, em toda a sua extensão – até Campo de Santana velho - com a atenção voltada à paisagem e a eventuais vestígios históricos (Foto 03).

Praticamente a meio caminho da trilha, em local descampado, com árvores esparsas, mas de boa sombra, próximo ao lugar chamado Camboa, onde teria havido moradia, nas coordenadas de S 6o 10.151’ e W 035o 06.088’ encontrou-se um fragmento de vasilhame (garrafa) em grés , semi-enterrado na areia. O vasilhame era vitrificado por dentro (Foto 01). Tal tipo de recipiente de envasamento ainda era usado no século XIX, mas recipientes deste material eram usuais desde o século XVI. Poucas centenas de metros mais adiante - em direção da barra -, foi encontrado parte do fundo de um prato de faiança em que se via o carimbo Villeroy & Boch , correspondendo a uma fabrica inglesa de faiança (Foto 02).

À direita da extremidade norte da trilha, em um elevado, existe o antigo cemitério de Campo de Santana que, embora com alguns túmulos demolidos ainda está murado e em razoável estado de conservação.

As estruturas construtivas que foram encontradas na beira da trilha eram todas modernas e pertenceram a pessoas conhecidas pelos moradores antigos da região. Todas eram pequenas casas, as quais foram desmanchadas para reaproveitamento do material, como é usual.

A extremidade Sul da trilha foi tomada por uma duna móvel.

É inegável a importância histórica e patrimonial desta área, que foi preservada principalmente pelo isolamento causado por um desastre ecológico de grandes proporções, fato que tirou as condições locais de ser explorado economicamente de maneira extensiva.

Na ponta sul da trilha, a cerca de 200 metros do promontório do engenho existem ruínas submersas de uma construção muito antiga, que bem pode ser a casa de fim de caminho que deveria existir por tipologica e analogicamente.

Um pedaço muito grande de alguidar cerâmico indígena (Foto 15), usado para cozinhar, pois tinha o fundo enegrecido, foi encontrado semi-enterrado na areia da praia, quando da baixa mar. As ruínas das paredes desmanchadas podem ser vistas sob a água clara.

O local tem sofrido uma erosão muito rápida e de grande porte, desboroando a pequena falésia que está de fronte e fazendo cair coqueiros antigos. Segundo informantes, o local é muito fundo alguns metros após a praia, o que impediu uma investigação mais acurada

No pequeno trecho de praia defronte às ruínas submersas são encontrados, vez ou outra, pedaços de tijolos incrustados de mariscos (cracas), demonstrando uma prolongada permanência sob a água. Também são encontrados pedaços de cerâmica, assim como, de maneira pitoresca, um raspador lítico não muito bem trabalhado, que nos remete ao mundo indígena, provavelmente tapuia, daqueles que foram aliados dos holandeses.




FONTE: Notícia de Jipeiros, n° 656/2008, de terça-feira, 1º de abril de 2008 (escrita pelo Jornalista Roberto Guedes.

"Público Vs Privado (03)"

É necessário reabrir estrada histórica entre Papebinha e Nísia Floresta

A necessidade de se reabrir a estrada histórica que ligava a lagoa de Papebinha à cidade de Nísia Floresta foi defendida com destaque pelo engenheiro aeronáutico Levy Pereira, presidente do Natal Landclube, no documento que encaminhou ontem ao advogado Marcílio Mesquita como subsídio para a denúncia que este deverá protocolar hoje junto ao ministério público estadual a respeito da colocação de interesses privados acima do direito público no tocante a rodovias situadas no litoral do Rio Grande do Norte.

Expondo uma situação que ele e o historiador, antropólogo e arqueólogo Walner Spencer, presidente da Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia e Meio Ambiente (Sonarq) constataram “in loco”, durante expedições de interesse arqueológico promovidas no ano passado pela Trilhamiga, Levy salienta que uma obstrução de passagem está impedindo o acesso a sítios históricos.

Objetivamente, eis um resumo do que ele mostrou em relação à obstrução de passagem na trilha histórica da lagoa Papebinha: “Na estrada de interligação da cidade de Nísia Floresta com a lagoa do Bonfim foi colocada uma porteira trancada com corrente e cadeado impedindo o acesso às margens da lagoa Papebinha e interrompendo essa estrada”.

Quanto aos efeitos desta obstrução ele destaca:

- Impede o acesso à lagoa da Papebinha e o trânsito pela estrada;

- Impede o acesso à trilha e locais históricos. Essa trilha e locais históricos são citados por vários fontes históricas.

Procurando mostrar a importância do acesso à trilha, ele aponta três características. Através da estrada, diz, pode-se “visitar sítios históricos preserva os sentidos de nacionalidade e cidadania, reforçando a auto-estima do cidadão brasileiro”. Além disso, acrescenta, “esse caminho faz parte do patrimônio histórico nacional”. Por último, lembra que os caminhos coloniais têm imenso potencial turístico e econômico e são potencialmente uma fonte de riqueza para o bem comum”.

Dizendo que “essa obstrução foi feita em decorrência da vontade de dois proprietários de terras de isolar a lagoa para seu uso exclusivo”, Levy acrescenta que “há uma casa de fazenda no lado oeste e um coqueiral com balneário particular no lado leste” e sugere a desobstrução, “em princípio, às expensas de quem obstruiu essa estrada”. A exemplo do que propôs no tocante à estrada entre a praia de Malembar e a localidade de Campo de Santana, ele propõe que se tente reforçar, junto aos proprietários da gleba, o lado positivo da desobstrução e de uma nova atitude em relação à preservação do sítio arqueológico, “que passa a ter alto interesse turístico”.


FONTE: Notícia de Jipeiros, n° 656/2008, de terça-feira, 1º de abril de 2008 (escrita pelo Jornalista Roberto Guedes.

"Público Vs Privado (02)"

Jornal mostra subsídios do NLC

sobre Malembar e Maxaranguape

O engenheiro aeronáutico Levy Pereira, presidente do Natal Landclube, concluiu ontem a montagem do documento básico que a entidade se prontificou a produzir a respeito da preterição do direito público em benefício do privado nos casos de desconsideração de servidão de passagem e patrimônio histórico que os jipeiros potiguares identificaram nas modificações impostas ao leito de estradas situadas no litoral potiguar.

Seu estudo destaca, ainda, a situação da lagoa de Papebinha, situada no encontro entre os territórios dos municípios de Georgino Avelino e de Nísia Floresta, que também carece da proteção do ministério público.

PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Ao encaminhar o documento ao advogado Marcílio Mesquita, que se encarregou de formular denúncia sobre obstrução das estradas e entregá-las ainda hoje ao ministério público estadual, conforme o combinado com o promotor Antonio Siqueira, titular da Coordenadoria de Apoio Operacional (Caop) relacionada à defesa do meio ambiente, Levy salientou que no caso de Malembar a obstrução imposta à passagem de terceiros pelos proprietários das terras cortadas pela estrada atinge o patrimônio histórico do Rio Grande do Norte.

A seu ver, trata-se de “obstruções de acesso e do direito de ir e vir a locais históricos e patrimônio público”, que o Natal Landclube, o Natal Jeep Clube, iniciador do movimento contra a colocação do interesse particular acima do direito público nos casos de Malembar de Maxaranguape, e a Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia e Meio Ambiente (Sonarq) precisam denunciar às autoridades constituídas.

Levy dividiu seu documento, ilustrado com fotos e mapas, alguns produzidos através do GPS (sigla em inglês para Sistema Global de Posicionamento), em duas partes, uma para cada área geográfica.

GARANTIR PASSAGEM

No tocante à estrada que liga as praias de Maxaranguape e Caraúbas, ele destaca o fato de a intervenção imposta pelos novos empreendedores da área afetar seriamente o acesso à beira mar e ao cabo de São Roque, uma das principais referências geográficas do Rio Grande do Norte.

Item por item, eis o que Notícias de Jipeiros pode transcrever do que Levy escreveu:

A estrada estadual “foi barrada com cerca de arame farpado a estrada de terra que liga a praia ao norte do Cabo de São Roque com a estrada vicinal entre as cidades de Maxaranguape e Praia de Caraúbas”, conforme mostra em mapa que infelizmente Notícias de Jipeiros não pode exibir.

O efeito da obstrução: impede o acesso à praia ao norte do Cabo de São Roque. Essa praia na maré cheia não pode ser acessada por nenhum outro caminho face às altas falésias ao norte e as rochas do Cabo de São Roque.

Importância do acesso à praia:

- a praia é bem público;

- a região do Cabo de São Roque é belíssima e tem importância histórica, sendo citada nos mapas desde o século XVI e é marco de navegação marítima, com um farol de navegação operado pela Marinha do Brasil;

- a praia faz parte do circuito turístico do RN, pois há um caminho com mais de vinte anos de uso que passa pelo farol e a “Árvore do Amor”, de fama mundial e que constam nos mapas para GPS e do Google Earth que incorporou ao documento.

Dados complementares: essa obstrução foi feita em decorrência do asfaltamento e mudança de trajeto da estrada vicinal que liga Maxaranguape à localidade praia de Caraúbas, em benefício de um empreendimento turístico de grande porte na área ao norte do Cabo de São Roque.

Como sugestão de solução, o engenheiro propõe a construção de acesso ligando a nova estrada asfaltada à praia do Cabo de São Roque, “em princípio, às expensas de quem obstruiu o acesso e gerou essa necessidade”. Até isso acontecer, assevera, “o atual acesso deve ser desobstruído”.

VALA E TRONCOS

Quanto à obstrução de passagem em trilha histórica em Malembar, Levy descreveu a atitude adotada pelos novos donos das terras. “Ao norte da trilha histórica em Malembar, às margens das lagoas de Guaraíras e Papeba, foi colocada uma porteira trancada com corrente e cadeado e, ao sul essa trilha foi barrada com uma profunda vala e cerca de troncos de coqueiros. Isso obstrui a estrada de terra que liga a praia de Malembar ao cruzeiro na antiga cidade de Campo de Santana”.

Também mostrando a localização com imagens, ele aponta os efeitos da obstrução:

- impede o acesso a trilha e locais históricos. Essa trilha e locais históricos constam no mapa “Prefecturae Paraiba et Rio Grande”, feito em 1634 pelo sábio George Marcgrave, que acompanhou Maurício de Nassau durante a dominação holandesa do nordeste do Brasil. “Além do caminho colonial, casa e curral assinalados nesse mapa há sítios arqueológicos nessa área”, salienta o engenheiro, incorporando ao texto uma imagem do trecho entre Malembar e Campo de Santana que constam no mapa de Marcgrave.

Visando salientar a importância do acesso à trilha colonial, Levy recorda que ela permite visitar sítios históricos preserva os sentidos de nacionalidade e cidadania, reforçando a auto-estima do cidadão brasileiro. Além disso, frisa, “esse caminho faz parte do patrimônio histórico nacional”. Por último, insere o interesse turístico na questão:

“Os caminhos coloniais têm imenso potencial turístico e econômico e são potencialmente uma fonte de riqueza para o bem comum”, observou.

Levy acrescentou ao documento algumas observações complementares, como estas:

- “Essa obstrução foi feita em decorrência da vontade de isolar essa área em benefício de empreendimento turístico de grande porte com capital francês nessa área”, e

“Há trechos de estrada nessa região no mapa da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) dessa área”.

Por fim, ele sugere a imediata desobstrução da estrada, em princípio às expensas de quem obstruiu essa trilha. Recomenda, ainda, a necessidade de se reforçar “o lado positivo para o empreendimento em preservar e cuidar desses sítios em sua área, transformando-se de vilão a amigo do Brasil”.



FONTE: Notícia de Jipeiros, n° 656/2008, de terça-feira, 1º de abril de 2008 (escrita pelo Jornalista Roberto Guedes.

"Público Vs Privado (01)"

Jipeiro reúne subsídios e prepara denúncia sobre Malembar e Caraúbas

O advogado Marcílio Mesquita de Góes, criador dos estatutos do Natal Jeep Clube, deverá elaborar e entregar ainda hoje ao ministério público estadual uma denúncia formal em nome da entidade, do Natal Landclube e da Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia e Meio Ambiente (Sonarq) a respeito da colocação de interesses privados acima do interesse público em relação a servidão de passagem sobre estradas situadas em dois pontos do litoral do Rio Grande do Norte.

A formulação do documento foi pactuada com o promotor público Antonio Siqueira, titular da Coordenadoria de Apoio Operacional ao Ministério Público (Caop) no tocante à defesa do meio ambiente e uma das interfaces do Natal Jeep Clube com o “parquet” estadual durante audiência realizada na manhã da última sexta-feira.

Na ocasião, presentes Siqueira, Marcílio e os presidentes do Natal Landclube e da Sonarq, engenheiro aeronáutico Levy Pereira e historiador Walner Spencer, as entidades mostraram três atitudes que novos proprietários de terras situadas no litoral potiguar tomaram recentemente em detrimento da servidão de passagem ao longo de estradas situadas em suas fazendas.

A denúncia se lastreia em informações que o Natal Jeep Clube levantou em duas missões que realizou na região de Maxaranguape e outras entre a praia de Malembar e a localidade de Campo de Santana e em subsídios que foram entregues ontem a Marcílio por Levy e Spencer. Um terceiro caso a ser contemplado na denúncia afeta a lagoa de Papebinha, em Nísia Floresta, que Spencer e Levy inspecionaram recentemente.

ACESSO A PRAIAS

Os dois casos que afetam estradas litorâneas foram sobejamente focalizados em edições recentes de Notícias de Jipeiros, que registrou a realização de viagens que o Natal Jeep Clube promoveu com o objetivo de constatar “in loco” as situações denunciadas.

Entre a praia de Malembar, no município de Georgino Avelino e a localidade de Campo de Santana, em Nísia Floresta, um grupo estrangeiro que no ano passado adquiriu uma grande fazenda vizinha à lagoa de Guaraíras simplesmente resolveu obstruir a passagem na mais antiga estrada do Rio Grande do Norte.

Existente desde o início da colonização portuguesa, ela foi muito usada enquanto havia um istmo ligando a cidade de Tibau do Sul a uma outra situada na extremidade norte deste acidente topográfico. A cidade, presumivelmente, desapareceu quando a ruptura do istmo levou o oceano Atlântico a invadir a lagoa, elevando extraordinariamente o nível de sua água e salgando-a.

Sem o istmo, a estrada perdeu o fluxo de tráfego que registrava ancestralmente. Sua importância histórica vinha sendo resgatada por jipeiros quando os donos da terra resolveram fincar estacas para impedir a passagem de veículos e mesmo de pedestres ao longo de seu percurso.

DESVIO DE ESTRADA

A situação entre a cidade de Maxaranguape e a praia de Caraúbas é um pouco diferente. Após comprar as terras conhecidas como “Fazenda de Fernando Burle”, um grupo estrangeiro conseguiu que as autoridades governamentais desviassem a estrada que liga as praias de Maxaranguape e Caraúbas a fim de desviá-la do espaço onde pretende implantar um grande projeto habitacional e de turismo. Esta medida seria um precedente para adiante obstruir a única estrada que permite o acesso de populares à praia situada à frente dessa fazenda.

Motivado por denúncias apresentadas por pessoas dignas de consideração, o Natal Jeep Clube visitou o local duas vezes, documentando fotograficamente o que encontrou, e na última sexta-feira mostrou a situação a Siqueira, motivando-o a não apenas examinar em profundidade a questão, mas também comunicar o fato à promotoria de Extremoz e Maxaranguape. Nos dois casos, a servidão de passagem, comprovada há décadas, foi inteiramente desconsiderada, evidenciando-se a preterição do direito público em benefício de interesses particulares.



FONTE: Notícia de Jipeiros, n° 656/2008, de terça-feira, 1º de abril de 2008 (escrita pelo Jornalista Roberto Guedes.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Imagens da Expedição João Câmara/Pureza

IMAGENS SOBRE EXPEDIÇÃO ENTRE JOÃO CÂMARA E PUREZA
realizada por jipeiros, arqueólogos, ambientalistas, jornalistas, radialistas e por uma equipe do IGARN.


Café da Manhã na casa grande da fazenda do Sr. Aldo Torquato.


Comboio para às margens de um dos açudes de João Câmara para que a equipe do IGARN pudesse realizar exames nas águas locais.


Comboio se deslocando para as comunidades dos descendentes de Tapuias da região.


Após o programa veiculado pela Rádio Baixa Verde, o comboio se reune para almoçar.

O comboio chega à Pureza e surpreende-se com o que encontra por lá.

Um bom começo para 2008

FONTE: Notícias de Jipeiros n° 597/2007, de quarta-feira, 03 de janeiro de 2008.

Inscrições rupestres aguardam

“off roaders” na região de Cuité

Os “off roaders” natalenses que pretendem compartilhar nas próximas semanas uma expedição à região serrana em que se inserem os municípios de Cuité, Nova Floresta e Picuí, na Paraíba, e Jaçanã e São Bento, no Rio Grande do Norte, deverão deparar-se com inscrições rupestres capazes de despertar o interesse de quantos se interessam pela história desta parte do Brasil.

A observação partiu do jornalista Valdir Julião, repórter político do diário “Tribuna do Norte”, que se interessou pelo roteiro da viagem ao ler a respeito em Notícias de Jipeiros. Segundo Valdir, a região, que integra a serra do Chapéu, também mencionada como parte da serra da Borborema, é rica em monumentos anteriores à colonização européia do Nordeste brasileiro.

Proposta pelo professor e técnico em petróleo Job Azevedo, um dos fundadores do Natal Jeep Clube, a viagem está sendo estudada pela entidade para logo depois do início das primeiras chuvas de 2008.

FONTE: Notícias de Jipeiros n° 598/2007, de quinta-feira, 03 de janeiro de 2008.

Jipeiros querem levar arqueólogos na viagem à região de Cuité, na Paraíba

A Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia e Meio Ambiente (Sonarq) também deverá participar da expedição que jipeiros natalenses pretendem realizar nas próximas semanas à região serrana em que se inserem os municípios de Cuité, Nova Floresta e Picuí, na Paraíba, e Jaçanã e São Bento, no Rio Grande do Norte.

O responsável pela iniciativa, o Natal Jeep Clube, resolveu convidar o presidente da Sonarq, historiador, antropólogo e arqueólogo Walner Barros Spencer, para participar da viagem depois de tomar conhecimento, por intermédio de um jornalista natalense, o repórter político Valdir Julião, do diário “Tribuna do Norte”, da existência de muitas inscrições rupestres na serra do Chapéu, como ele referenciou aquele espaço da formação da serra da Borborema, que abrange áreas da Paraíba e do Rio Grande do Norte.

A viagem deverá ser feita logo depois que caírem as primeiras chuvas do inverno de 2008 na região, conforme conselho do proponente de sua realização, o professor e técnico em petróleo Job Azevedo.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

RETROSPECTIVA 2007

FONTE: Notícias de Jipeiros n° 569/2007, de segunda-feira, 12 de novembro de 2007.

Apoio à promotoria se inspira na ação com arqueólogos e ambientalistas

O apoio que jipeiros norte-rio-grandenses passarão a dar, voluntariamente, à promotoria de justiça de Nísia Floresta, em defesa do meio ambiente e de direitos coletivos que estão sendo ameaçados cada vez mais pela expansão imobiliária que se desenvolve no território deste município terá a mesma característica do que os “off roaders” vem fazendo há meses em defesa do patrimônio arqueológico do Rio Grande do Norte.

A explicação é do jornalista Roberto Guedes, o jipeiro que procurou a promotora de justiça Uliana Lemos, titular do ministério público em Nísia Floresta, visando o estabelecimento de uma parceria capaz de coibir o fechamento das trilhas do município à passagem dos jipes.

O modelo também tem origem nas inspeções às nascentes dos rios que banham o território do Rio Grande do Norte, que vem a ser a primeira ação seqüenciada de jipeiros em defesa do meio ambiente nesta unidade federativa.

Lançado em abril deste ano, com o propósito de levar parte da sociedade civil do Rio Grande do Norte a conhecer as condições ambientais em que se encontram as nascentes, o projeto já levou jipeiros a conhecer as fontes primárias dos rios Pitimbú e Potengí, os levará às do Maxaranguape em dezembro que se avizinha e a qualquer momento ainda ensejará uma visita ao Golandim, curso d’água que sofreu drásticas agressões há alguns anos e cuja situação atual precisa ser aferida.

Responsável, ainda no início dos anos oitenta, pelo lançamento da idéia de organização da comunidade fora de estrada do Rio Grande do Norte, através da fundação, em Natal, do segundo mais antigo clube de jipeiros em atuação no país, Roberto é, também, o criador e editor de Notícias de Jipeiros, coordenador da Trilhamiga e integrante do grupo que está criando as bases para o surgimento de um clube que reúna os “off roaders” mais comprometidos com princípios de responsabilidade social e sócio-ambiental nesta unidade federativa, o Jeep Clube de Natal.

Desde o segundo trimestre deste ano, graças a mobilização que a Trilhamiga promoveu, alguns jipeiros residentes em Natal têm compartilhado inspeções a sítios históricos e pré-históricos com expoentes da Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia e Meio Ambiente (Sonarq). A mais constante equipe que vem agindo neste campo é formada pelo engenheiro aeronáutico Levy Pereira e pelo historiador, antropólogo e arqueólogo Walner Barros Spencer, presidentes, respectivamente, do Natal Land Clube e da Sonarq.

Segundo Roberto, a colaboração oferecida à promotoria de Nísia Floresta guarda relação, também, com o interesse que os jipeiros natalenses alimentam quanto a servir ao ministério público de modo geral e em especial na defesa do meio ambiente. Ele já tratou desta questão diretamente com o procurador geral de Justiça do Rio Grande do Norte, professor José Augusto Peres Filho, e com o promotor Antonio Siqueira, titular da Coordenadoria de Apoio (Caop) à defesa do meio ambiente no âmbito do “parquet” potiguar, quando os instou a participarem das expedições relacionadas aos cursos d’água.

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Sonarc apresenta relato das pesquisas que tem feito com jipeiro

O presidente da Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia e Meio Ambiente (Sonarq), professor Walner Barros Spencer, encaminhou ontem ao jornalista Roberto Guedes, coordenador da Trilhamiga, relatório sobre as atividades que vem desenvolvendo há meses em função da parceria com os jipeiros de Natal. Além de mostrar avanços realizados, ele reforça a preocupação que o fechamento de trilhas pelo arame farpado está impondo aos líderes da comunidade jipeira potiguar.

Esta é, na íntegra, a mensagem de Spencer:

“Caro Roberto

Levi Pereira e eu estamos, com reiterada freqüência, buscando deslindar as trilhas coloniais que aparecem em antigos mapas. O trabalho consta de pesquisas cartográficas, comparações entre eles e os atuais (na tentativa de entender as diferenças), estudo de toponímia, histórias locais, sesmarias, localização tradicional de antigas aldeias indígenas e de aldeamentos catequéticos, além de pesquisa na bibliografia de cronistas e viajantes dos séculos coloniais, inclusive batavos. Tudo isto, é claro, é posto à prova rodando no campo, montado na 'Mula', bem como os antigos faziam, só que a nossa é motorizada - um Land Rover.

Vejo-me na obrigação de informar estes fatos ao ilustre amigo, pois foi você quem proporcionou o encontro das partes que hoje estão consolidando uma parceria de trabalho.

O reconhecimento vai progredindo lentamente, pois muitas trilhas desapareceram, ou estão inacessíveis por detrás de cancelas e porteiras fechadas a cadeado; outras, foram utilizadas em parte por estradas atuais, tendo perdido as características, dificultando o seu seguimento e continuidade; chega a ser candente a falta de informação dos moradores dos lugares, sendo que a maioria tem um profundo desconhecimento da história de onde moram atualmente; outros lugares que serviriam de baliza, como lagoas e riachos mudaram de nome, e alguns desapareceram em virtude de obras de saneamento, drenagem de áreas inundadas, canalizações e desvios de curso, natural ou artificialmente. Há casos de grandes mudanças, como a do arrombamento da barra da Lagoa de Guaraíras, no século passado, e que impactou enormemente a região, submergindo várzeas, emendando pequenas lagoas, criando ilhas e, naturalmente, cortando e fazendo desaparecer trilhas e caminhos antigos.

Posso adiantar ao amigo que estamos, contudo, avançando, tendo já reconhecido trechos das principais trilhas, embora com enormes trechos a serem entendidos e descobertos ainda.

Um grande abraço e o manterei informado. Afinal, é direito de padrinho.

Spencer”.

FONTE: Notícias de Jipeiros n° 574/2007, de quarta-feira, 21 de novembro de 2007.

Sonarq aplaude preocupação com Seridó e anuncia presença na região

A Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia e Meio Ambiente (Sonarq) endossa e aplaude os esforços que a Trilhamiga vem desenvolvendo em relação à necessidade de levar os jipeiros potiguares a conhecer as nascentes dos rios que banham o território do Rio Grande do Norte, como enfatizou o presidente da entidade, professor Valner Barros Spencer, em correspondência que redigiu em função das preocupações motivadas pelas denúncias de poluição dos principais cursos d’água que atuam na região do Seridó.

Motivado por mensagens de diferentes autores que Notícias de Jipeiros veiculou estes dias e pelo convite que a Trilhamiga lançou para que o engenheiro agrônomo José Procópio de Lucena, principal porta-voz da ASA para o Rio Grande do Norte, se incorpore aos esforços que objetivam levar os “off roaders” a conhecer as nascentes dos rios Assu e Seridó, Spencer se manifestou em carta que enviou ontem ao jornalista Roberto Guedes, editor deste jornal virtual e coordenador da Trilhamiga.

Eis a íntegra de sua mensagem:

“Caro amigo Roberto:

Mais uma vez venho parabenizá-lo - e aos integrantes do Trilhamiga - pelo sucesso da iniciativa no tocante ao estudo e preocupação com as nascentes dos nossos rios.

Quero, em nome da Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia e Meio Ambiente (Sonarq), fazer parelha com os que estão unidos em torno da questão dos rios da República do Seridó. Pretendemos, em sendo possível, fazer parte da equipe que irá inspecionar e debater o problema ‘in loco’, conforme conclamação e chamado do Sr. Procópio.

Sei da qualidade das pessoas e instituições que já estão se comprometendo com a questão, dentre elas o experiente Presidente do Instituto de Gestão de Águas do Rio Grande do Norte (Igarn), engenheiro Celso Veiga.

Celso coloca o tema com muita propriedade e emoção, que é um dos componentes básicos de quem lida com a natureza e o ambiente.

Não há duvida de que os rios sempre foram a cloaca das cidades, e deverão ser ainda por muito tempo. O que se pode fazer, pragmaticamente, é buscar reduzir ao máximo as cargas poluentes, tanto através de investimentos na área de saneamento, recomposição das matas de proteção dos mananciais, controle da açudagem assistemática, fiscalização do uso dos espelhos de água, educação ambiental prática, dentre outros. Nada disso é barato, mas existe hoje, internacionalmente, uma disponibilidade de recursos mundiais para soluções do tipo, ainda mais quando se trata de regiões semi-áridas, como o nosso Seridó.

Emoção à parte, deve haver a conscientização de que somos parte de um contínuo existencial. Não há bandidos no passado, nem há heróis agora, no presente, em nossa modesta opinião. A Humanidade está se voltando à proteção da Natureza, dentre outras coisas por proteção própria, pois sabe que a raça humana terminará antes, se não o fizer.

Devemos meditar mais sobre isto. Os Antigos – os grupos arcaicos – se consideravam os Guardiões do Cosmo. Sabiam que a Natureza – e os Deuses deles – dependiam dos Homens para sobreviver, impedindo que o Caos imperasse. Poucos acreditaram.

Os tempos mudaram, e com eles os costumes, mas não seria desperdício de tempo ‘reaprender’ alguns conceitos que foram se perdendo pelo árduo caminho percorrido pela Humanidade.

Um grande abraço

Walner Barros Spencer”.

FONTE: Notícias de Jipeiros n° 581/2007, de terça-feira, 04 de dezembro de 2007.

Reunião confirmou para domingo, 9, a viagem a Pureza e João Câmara

É mesmo no próximo domingo, 9, que jipeiros natalenses realizarão a expedição que objetiva levá-los a conhecer as nascentes do Maxaranguape, nos municípios de João Câmara e de Pureza, numa missão que compartilharão com arqueólogos, ambientalistas, integrantes de comitês de bacias hidrográficas relativos a outros rios, bem como técnicos e autoridades governamentais.

Agendada desde o final de outubro último, a data da expedição foi confirmada na tarde de ontem, durante a reunião de que participaram os representantes dos grupos interessados em conhecer as nascentes e as condições ambientais em que elas se encontram. O Maxaranguape é o terceiro rio cujas nascentes são inspecionadas por jipeiros natalenses desde meados deste ano, quando a Trilhamiga anunciou o projeto que objetiva levá-los a conhecer as fontes primárias de todos os rios que banham o território do Rio Grande do Norte. Os dois primeiros foram o Pitimbú e o Potengí.

Coordenada pelo presidente do Instituto de Gestão de Águas do Rio Grande do Norte (Igarn), engenheiro Celso Veiga, e contando com a participação de vários órgãos, a reunião confirmou a utilização, no domingo, do roteiro de viagem que havia sido pactuado em outubro, mercê de proposta elaborada então pelo advogado e historiador Aldo Torquato, ex-prefeito de João Câmara.

PLANO DE VIAGEM

De acordo com o plano de viagem elaborado por Torquato, o comboio deverá começar a se concentrar às 6 horas, no posto São Luiz da avenida Salgado Filho, em Lagoa Nova, na zona sul de Natal, para iniciar ali seu deslocamento às 5h30m.

Empregando sempre velocidade de comboio e trafegando sobre o asfalto da rodovia BR 406, o comboio deverá chegar a João Câmara por volta das 8 horas. Seus participantes tomarão o café da manhã, então, na fazenda “Santa Rosa”, pertencente a Aldo Torquato e sua esposa, Rosângela.

Logo em seguida, o comboio demandará aos açudes “Grande” e “Pedra D’água”, para que os jipeiros conheçam a situação ambiental de que desfrutam, e à localidade “Amarelão dos Mendonça”, conhecendo uma comunidade formada por remanescentes de índios e negros, para ao meio-dia chegar à localidade de “Buraco Seco”, a fim de inspecionar o riacho que dá origem ao Maxaranguape.

Dali, a caravana rumará ao restaurante “Galinha Caipira”, onde seus integrantes almoçarão. À mesma hora, três ou quatro integrantes do comboio, entre os quais o historiador, antropólogo e arqueólogo Walner Barros Spencer, presidente da Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia (Sonarq), o engenheiro aeronáutico Levy Pereira, presidente, e o professor e técnico em petróleo Job Azevedo, diretor do Natal Land Clube, e Celso Veiga concederão entrevista sobre a situação da nascente do Maxaranguepe na sede da rádio Baixa Verde, a única AM local, do programa “Pra Frente João Câmara”, que Aldo Torquato apresenta ali todos os domingos, do meio-dia às 13 horas.

Concluída a entrevista, eles demandarão ao restaurante, almoçarão e em seguida puxarão o comboio rumo à sede do município de Pureza, onde tem sede a principal nascente do Maxaranguape. Ali o comboio será recebido pelo presidente da Empresa de Pesquisa Agro-pecuária (Emparn), engenheiro Henrique Santana, ex-prefeito de Pureza.

Depois da visita, o comboio demandará a Natal através da rodovia estadual, asfaltada, que leva a Ceará Mirim, onde os jipeiros voltarão a utilizar a BR 406.

PARTICIPANTES

A exemplo de Celso, Job, Levy e Spencer, várias outras pessoas participarão do comboio a partir de Natal. É o caso de representantes das diretorias da Companhia de Águas e Esgotos (Caern), do Instituto de Desenvolvimento e Meio Ambiente (Idema) e de outros órgãos públicos ligados à ecologia e aos recursos hídricos. A diretoria de pelo menos um comitê de bacia hidrográfica, o vinculado ao rio Pitimbú, participará da viagem, que também deverá receber a companhia da deputada estadual Micarla de Souza, presidente regional do PV, e do vereador Edivan Martins, líder da agremiação na câmara municipal de Natal e interface entre a agremiação e os jipeiros potiguares.

O Igarn também levará para a região seus dois laboratórios móveis, a fim de submeter a exames “in loco” a água que os jipeiros conhecerem nos dois municípios.

Aldo, que reside em Natal, esperará o comboio em João Câmara, juntamente com a prefeita Gorete Leite, e autoridades municipais de Pureza o aguardará nesta cidade, na companhia de Henrique Santana.

Tratando-se de uma viagem de sentido sócio-ambiental, ainda não é possível saber quantos e quais os jipeiros que integrarão o comboio. Esta participação é aberta, podendo integrar a caravana os “off roaders” que o desejarem. Os organizadores da viagem pedem que os interessados apenas tomem a iniciativa de comunicarem a decisão de integrar o comboio para medidas de ordem logística que eventualmente careçam de informações quanto aos números de veículos e de tripulantes mobilizados pela expedição.

FONTE: Notícias de Jipeiros n° 584/2007, de sexta-feira, 07 de dezembro de 2007.

Aumenta o número de jipeiros que vão a Pureza e João Câmara

O número de jipeiros que pretendem participar da expedição rumo às nascentes do rio Maxaranguape, nos municípios de João Câmara e de Pureza, a ser realizada neste domingo, dia 9, depois de amanhã, vem aumentando nas últimas 24 horas através de telefonemas anunciando novas adesões ao projeto.

Esta será a expedição em que a Trilhamiga levará jipeiros, ambientalistas, técnicos e administradores de órgãos governamentais vinculados à questão das águas no Rio Grande do Norte a inspecionarem as nascentes de rios que banham o território potiguar. Os dois primeiros cursos d’água contemplados foram o Pitimbú, que banha a região metropolitana, e o Potengí, que em tupi-guaraní dá nome a esta unidade federativa.

Da expedição deste domingo deverão participar integrantes do Natal Land Clube e do Natal Jeep Clube, entidade em fase de formação, assim como da Trilhamiga, ao lado do presidente da Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia (Sonarq), historiador Walner Barros Spencer, dirigentes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pitimbú (CBH-Pitimbú) e representantes de outras entidades ligadas à defesa do meio ambiente.

Também integrarão o comboio o presidente, engenheiro Celso Veiga, e técnicos do Instituto de Gestão de Águas do Rio Grande do Norte (Igarn), co-promotor das expedições de jipeiros às nascentes de rios; o engenheiro Henrique Santana, presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária (Emparn); a engenheira Geni Formiga, ex-presidente do Igarn; o geólogo Marcelo Queiroz, gerente do setor de hidrogeologia da Companhia de Águas e Esgotos (Caern), e técnicos do Instituto de Desenvolvimento e Meio Ambiente (Idema).

O Partido Verde (PV) também participará do evento, por intermédio de sua presidente regional, deputada estadual Micarla de Souza, e do líder da bancada na câmara de Natal, o vereador Edivan Martins.

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INSPEÇÃO ÀS NASCENTES DO RIO MAXARANGUAPE (02)

Comboio deverá começar a se concentrar às 5h30 no posto São Luiz

Está inteiramente mantido o plano de viagem definido na última segunda-feira para a expedição que amanhã levará jipeiros, ambientalistas, técnicos e autoridades governamentais a inspecionar as nascentes do rio Maxaranguape, situadas em João Câmara e em Pureza.

Proposto desde o final de outubro último pelo advogado e historiador Aldo Torquato, ex-prefeito de João Câmara e anfitrião dos interessados em conhecer a fonte situada no seu município, o programa da viagem foi consolidado durante reunião que os organizadores do evento compartilharam no último dia 3 no gabinete da presidência do Instituto de Gestão de Águas do Rio Grande do Norte (Igarn).

ETAPAS DA VIAGEM

De acordo com o plano de viagem elaborado por Torquato, o comboio deverá começar a se concentrar às 6 horas, no posto São Luiz da avenida Salgado Filho, em Lagoa Nova, na zona sul de Natal, para iniciar ali seu deslocamento às 5h30m.

Empregando sempre velocidade de comboio e trafegando sobre o asfalto da rodovia BR 406, o comboio deverá chegar a João Câmara por volta das 8 horas. Seus participantes tomarão o café da manhã, então, na fazenda “Santa Rosa”, pertencente a Aldo Torquato e sua esposa, Rosângela.

Logo em seguida, o comboio demandará aos açudes “Grande” e “Pedra D’água”, para que os jipeiros conheçam a situação ambiental de que desfrutam, e à localidade “Amarelão dos Mendonça”, conhecendo uma comunidade formada por remanescentes de índios e negros, para ao meio-dia chegar à localidade de “Buraco Seco”, a fim de inspecionar o riacho que dá origem ao Maxaranguape.

Dali, a caravana rumará ao restaurante “Galinha Caipira”, onde seus integrantes almoçarão. À mesma hora, três ou quatro integrantes do comboio, entre os quais o historiador, antropólogo e arqueólogo Walner Barros Spencer, presidente da Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia (Sonarq), o engenheiro aeronáutico Levy Pereira, presidente, e o professor e técnico em petróleo Job Azevedo, diretor do Natal Land Clube, e Celso Veiga concederão entrevista sobre a situação da nascente do Maxaranguape na sede da rádio Baixa Verde, a única AM local, do programa “Pra Frente João Câmara”, que Aldo Torquato apresenta ali todos os domingos, do meio-dia às 13 horas.

Concluída a entrevista, eles demandarão ao restaurante, almoçarão e em seguida puxarão o comboio rumo à sede do município de Pureza, onde tem sede a principal nascente do Maxaranguape. Ali o comboio será recebido pelo presidente da Empresa de Pesquisa Agro-pecuária (Emparn), engenheiro Henrique Santana, ex-prefeito de Pureza.

Depois da visita, o comboio demandará a Natal através da rodovia estadual, asfaltada, que leva a Ceará Mirim, onde os jipeiros voltarão a utilizar a BR 406.

PARTICIPANTES

A exemplo de Celso, Job, Levy e Spencer, várias outras pessoas participarão do comboio a partir de Natal. É o caso de representantes das diretorias da Companhia de Águas e Esgotos (Caern), do Instituto de Desenvolvimento e Meio Ambiente (Idema) e de outros órgãos públicos ligados à ecologia e aos recursos hídricos. A diretoria de pelo menos um comitê de bacia hidrográfica, o vinculado ao rio Pitimbú, participará da viagem, que também deverá receber a companhia da deputada estadual Micarla de Souza, presidente regional do PV, e do vereador Edivan Martins, líder da agremiação na câmara municipal de Natal e interface entre a agremiação e os jipeiros potiguares.

O Igarn também levará para a região seus dois laboratórios móveis, a fim de submeter a exames “in loco” a água que os jipeiros conhecerem nos dois municípios.

Aldo, que reside em Natal, esperará o comboio em João Câmara, juntamente com a prefeita Gorete Leite, e autoridades municipais de Pureza o aguardará nesta cidade, na companhia de Henrique Santana.

EVENTO ABERTO

Tratando-se de uma viagem de sentido sócio-ambiental, ainda não é possível saber quantos e quais os jipeiros que integrarão o comboio. Esta participação é aberta, podendo integrar a caravana os “off roaders” que o desejarem. Os organizadores da viagem pedem que os interessados apenas tomem a iniciativa de comunicarem a decisão de integrar o comboio para medidas de ordem logística que eventualmente careçam de informações quanto aos números de veículos e de tripulantes mobilizados pela expedição.

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INSPEÇÃO ÀS NASCENTES DO RIO MAXARANGUAPE (03)

Jornalista salienta o caráter multidisciplinar da gestão das águas

Um equívoco cometido ontem pela redação de Notícias de Jipeiros sugeriu à jornalista Laélia de Melo, secretária do Comitê da Bacia Hidrogáfica do Rio Pitimbú (CBH-Pitimbú), aproveitar o ensejo para salientar o fato de nos últimos tempos o enfrentamento das questões e a gestão dos recursos hídricos ter deixado de ocupar apenas profissionais das áreas tecnológica e da saúde, passando a exigir muito, também, de pessoas com outra formação.

Apontada erradamente como engenheira em notícia que o jornal veiculou sobre a expedição que jipeiros, ambientalistas, técnicos e autoridades governamentais farão depois de amanhã às nascentes do rio Maxaranguape, nos municípios de Pureza e de João Câmara, Laélia, que é neta do poeta Othoniel Menezes, autor de “Praieira”, o hino emocional e oficial de Natal, utilizou a necessidade de corrigir a falha editorial como oportunidade para mostrar que muita gente ainda hoje afastada das questões relacionadas aos recursos hídricos pode voltar-se proativamente para elas.

Eis na íntegra a mensagem que ela endereçou ao jornalista Roberto Guedes, editor de Notícias de Jipeiros e coordenador da Trilhamiga, o grupo que idealizou as expedições de “off roaders” às nascentes dos rios que banham o território do Rio Grande do Norte:

“Caro Roberto:

Ao longo do tempo, na sua maioria as atividades de gestão de recursos hídricos em nível de bacias hidrográficas foram realizadas por engenheiros ou peritos em saúde pública. Esses profissionais detêm conhecimentos e instrumentos que lhes permitem elaborar políticas públicas de excelência nessa área. Contudo, realizam frequentemente trabalhos de caráter apenas técnico, que lhes conferem a ilusão de serem isentos, autônimos e livres de ingerências políticas. Essa visão meramente técnica das questões relacionadas à gestão de água requer uma compreensão maior de quais são os fatores mais prováveis de afetar o processo. A beleza do arcabouço jurídico e institucional do nosso sistema brasileiro de gerenciamento de recursos hídricos está, em grande parte, em considerar uma visão multidisciplinar dessas questões, levando em conta as condições socioeconômicas e políticas que envolvem a gestão.

Bom, escrevi tudo isso para dizer que não sou engenheira, diferentemente do que conta na edição de hoje do jornal Notícias dos Jipeiros. Sou graduada em Comunicação Social e Pedagogia, especialista em meio ambiente e políticas públicas, e quase especialista em gestão normativa de recursos hídricos.

Um cordial abraço.

Laélia”.

FONTE: Notícias de Jipeiros n° 588/2007, de quinta-feira, 13 de dezembro de 2007.

Arqueólogo aproveita época natalina para incentivar jornalista e jipeiro

O historiador, antropólogo e arqueólogo Walner Barros Spencer, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e presidente da Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia e Meio Ambiente (Sonarq), aproveitou a motivação da época, que leva muita gente a formular votos de Feliz Natal e próspero ano novo, para, no tocante ao jornalista Roberto Guedes, criador e editor de Notícias de Jipeiros, apresentar-lhe uma moção pessoal de incentivo ao que vem fazendo como cidadão e como praticante de atividades fora de estrada.

Esta é, na íntegra, a mensagem de Spencer:

“Caro Roberto:

Queira aceitar, junto à tua família, os votos de um Feliz Natal deste amigo que tem tido a oportunidade de conviver contigo, de modo mais constante, reconhecendo, cada vez mais, belas qualidades pessoais, unidas a um invulgar dinamismo na consecução de missões que trafegam acima e além do dever.

Que o espírito de altruísmo - que parece desaparecer tão celeremente nos dias de hoje - seja o símbolo deste Natal em nosso meio;

Que a constância e a perseverança que o amigo demonstra na produção e manutenção do jornal Notícias de Jipeiros continue criando e multiplicando o sucesso que, muito merecidamente, já apresenta.

Caro amigo, és parte integrante e fundamental na história dos jipeiros e dos automobilistas fora-se-estrada deste nosso belo Rio Grande do Norte, reconheçam os outros, ou não!

O que importa não é o que pensam ou deixem de pensar alguns, mas sim o que vai restar de nós. E tu, caro amigo, RESTARÁ!

Feliz Natal

Walner Spencer”.

FONTE: Notícias de Jipeiros n° 592/2007, de quinta-feira, 20 de dezembro de 2007.

Arqueólogo enaltece preocupação do Natal Jeep Clube com acervo do RN

Os fundadores do Natal Jeep Clube receberam ontem um incentivo extraordinário para a tarefa a que se vêm dedicando, através de pronunciamento em que o presidente da Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia e Meio Ambiente (Sonarq), historiador, antropólogo e arqueólogo Walner Barros Spencer, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), enaltece o interesse que alimentam em relação ao realce e à preservação da cultura desta unidade federativa e manifesta o desejo de levar as duas organizações a trabalharem juntos.

Spencer se manifestou em correspondência que endereçou ao jornalista Roberto Guedes, criador e editor de Notícias de Jipeiros e um dos fundadores do Natal Jeep Clube, para dizer que nesta entidade “cativa-me, principalmente, a consciência em relação aos compromissos no que tange à preservação de nossos tesouros culturais tangíveis, como os históricos e arqueológicos, bem como o a da conservação de nossas paisagens notáveis”.

Este é, na íntegra, a mensagem de Spencer:

“Caro Roberto:

Tenho acompanhado com interesse e atenção o movimento que redundou na criação do Natal Jeep Clube.

É chover no molhado falar da qualidade de seus fundadores e integrantes, todos, ao que parece, repartindo uma responsabilidade social, cultural e comunitária, ao lado da veia desportiva e aventureira, que é marca patenteada dos amantes dos veículos fora-de-estrada.

Cativa-me, principalmente, a consciência em relação aos compromissos no que tange à preservação de nossos tesouros culturais tangíveis, como os históricos e arqueológicos, bem como o a da conservação de nossas paisagens notáveis.

É visível atualmente em nosso estado uma certa privatização da paisagem. Alguns - escorados em influências várias - dão-se o desplante de pensarem que fatores econômicos, sociais e políticos privilegiados, os diferenciam daqueles outros que não os possuem.

O poder de fazer deve ser um fator de libertação, de solidariedade, de carinho humano, e não, ao contrário, de isolamento, preconceito e egoísmo.

Não se deve confundir o direito à propriedade privada, individual e positivo, com o monopólio das belezas naturais, direito coletivo difuso, que é parte integrante do direito natural.

As paisagens naturais notáveis - estejam onde estiverem - constituem um presente de Deus a todos os homens, e não podem, por conseguinte, serem escondidas das vistas dos menos aquinhoados.

Há lugares em nossas praias, como na de Búzios, por exemplo, em que a visão de maravilhosas enseadas passou a ser impedida pela construção de altos e enormes muros - à la Carandirú. Onde antes passar era um refrigério à alma, irmanando todos à natureza, hoje o simples trafegar gera ansiedade e dá uma certa ojeriza contra as pessoas que se intitulam donas desta Capitania do Rio Grande - ou que, ao menos, pretendem ser.

Será que fazem por mal? Acho que não, mas por pura ignorância do que é uma vida de paz e harmonia. E aí que entidades como esta de vocês vem somar positivamente.

Aproveito para - em nome da Sonarq (Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia e Meio Ambiente) - desejar a todos os membros desta nova entidade desportiva e cultural, os votos de sucesso e alegria - e muitas trilhas - neste novo ano que se avizinha.

A Sonarq está à disposição deles para firmar uma parceria no campo de atuação das duas associações.

Um grande abraço de

Walner B. Spencer

Presidente da Sonarq”.

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JIPEIRISMO E CULTURA (02)

Clube mostra a fundadores o incentivo da Sonarq

Tão logo recebeu a correspondência em que o historiador, antropólogo e sociólogo Walner Barros Spencer, presidente da Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia e Meio Ambiente (Sonarq), transmite o interesse desta entidade quanto a montar parceria com o Natal Jeep Clube, o jornalista Roberto Guedes repassou a mensagem aos demais fundadores da associação de “off roaders”.

Ele o fez repassando-lhes simultaneamente a resposta que encaminhou a Spencer, a qual tem o seguinte teor:

“Natal, quarta-feira 19 de dezembro de 2007

Caríssimo Spencer:

Ainda profundamente sensibilizado com suas observações a respeito do Natal Jeep Clube e as preocupações que motivam seu nascimento, ainda em curso, adianto-lhe que, pessoalmente, já tinha como certo que esta entidade e a Sociedade Norte-rio-grandense de Arqueologia e Meio Ambiente (Sonarq) seriam parceiros tão logo começássemos a dar curso às iniciativas de nossa associação.

Para transmitir-lhe uma idéia da importância atribuída a esta sua iniciativa, informo-lhe que, enquanto me dirijo a você, que tão bem posiciona a Sonarq em benefício do patrimônio cultural do nosso Rio Grande do Norte, esta resposta está sendo repassada, juntamente com a sua inicial, para todos os fundadores do Natal Jeep Clube que integram nosso grupo de discussões via internet.

Tenho certeza de que todos comungam do ponto de vista de que juntos a Sonarq e nosso Natal Jeep Clube farão muito pelo nosso Estado.

A propósito, lastimo muito o fato de não termos viabilizado o contato que procuramos com você, na semana passada, a fim de convidá-lo a participar da primeira ‘Trilha do Cajú’, que o Natal Jeep Clube promoveu ao longo daquela estrada, que poderia ser a "Estrada Colonial", que funcionou como primeiro caminho por terra que os europeus utilizaram entre Recife e a região de Natal logo depois do descobrimento do Brasil.

Queríamos muito que na primeira ‘Trilha do Cajú’ você atuasse como guia cultural durante o evento, em função do acervo de informações que possui a respeito da região de Malembar e lagoa de Guaraíras, conforme demonstrou na primeira expedição que a Trilhamiga promoveu com o objetivo de unir jipeiros e arqueólogos, mobilizados pela Sonarq, em busca de sítios históricos e pré-históricos situados no território potiguar.

Espero que possamos repetir o trajeto, muito brevemente, contando com esta sua participação, que foi solicitada por vários participantes da primeira ‘Trilha do Cajú’.
Fraternalmente,

Roberto Guedes”.

TODOS OS TEXTOS ACIMA FORAM REPRODUZIDOS NA ÍNTEGRA.